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Minha amiga Elis (a única pessoa que comenta neste blog, diga-se de passagem) tem razão. Isso aqui está quase que completamente às moscas. Não por vontade minha, claro. O caso é que tudo está acontecendo muito rápido e não estou conseguindo administrar meu tempo. Estou a uma semana das minhas tão sonhadas e desejadas férias e a avalanche de coisas a fazer está simplesmente atropelando a minha vida.
Agora, que tudo foi devidamente contextualizado, aproveito para explicar o nome desse post. Em linhas gerais, Panelinha de Prata era o nome dado por Machado de Assis aos encontros para os quais reunia seus amigos para discutir literatura e nos quais também o almoço era servido em panelinhas de prata – agora tudo faz sentido, não?
Pois bem, no último sábado, eu participei de um Panelinha de Prata, organizado por uma livraria próxima do metrô Paraíso (foi por isso que aprendi a origem da expressão). O tema: Adélia Prado e Carlos Drummond de Andrade (daí a foto do post). Que maravilha ouvir pessoas inteligentes falando de literatura e acrescentando tantas novas informações ao meu ainda parco conhecimento do assunto. Fiquei realmente muito feliz por ter me esforçado para comparecer ao encontro. De quebra, encerrada a Panelinha e iniciada a minha ronda pela livraria, ainda comprei um livro maravilhoso de Ariano Suassuna intitulado Iniciação à Estética. Fabuloso e incrivelmente útil para os trabalhos da pós.
Para finalizar, deixo um dos mais célebres poemas de Drummond (em minha humilde opinião, claro!), chamado No Meio do Caminho. Para se ter uma idéia, toda a crítica da época achou os versos de um ineditismo e de um teor tão interventor na poesia brasileira que ficaram idolatrando um tempão o Drummond, até que ele, em uma entrevista, disse que sua intenção, ao compor, não tinha nada a ver com toda essa história de intervenção e ineditismo – ele apenas queria fazer um poema monótono e repetitivo.
No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Drummond em Alguma Poesia, 1930)
